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Servidores no limite: a crise silenciosa em Pontes e Lacerda

O SINFPPEL acompanha com preocupação uma realidade que cresce silenciosamente dentro do serviço público municipal de Pontes e Lacerda: o adoecimento físico e emocional dos servidores públicos.

Embora o sindicato não tenha acesso oficial aos diagnósticos médicos — protegidos por sigilo legal —, a realidade chega até nós pela escuta diária.

São relatos de servidores afastados por questões emocionais, profissionais em tratamento psicológico, trabalhadores buscando atendimento no CAPS, viajando para outras cidades em busca de psiquiatras e psicólogos, tentando preservar a própria saúde para continuar exercendo sua missão.

Grande parte desses casos está concentrada justamente nas áreas mais sensíveis do serviço público: saúde e educação.

E isso não acontece por acaso. Pontes e Lacerda cresceu, a demanda da população aumentou, os atendimentos se multiplicaram, as doenças sazonais elevam ainda mais a pressão sobre a rede pública, mas o número de servidores efetivos não acompanhou esse crescimento.

Hoje há setores que deveriam funcionar com cinco ou seis profissionais operando, mas contam com apenas dois ou três e quando um desses servidores adoece, a conta recai imediatamente sobre quem permanece.

O trabalho se intensifica, a pressão aumenta, o desgaste emocional se multiplica e um novo adoecimento passa a ser questão de tempo. Forma-se um ciclo perigoso: o excesso adoece, o adoecimento reduz equipes e a redução sobrecarrega ainda mais quem ficou. É preciso romper esse ciclo.

Na 1ª conferência de Saúde do trabalhador realizada no ano passado em Cuiabá, uma constatação foi reforçada por especialistas:

O servidor público que está na linha de frente precisa de atendimento diferenciado e prioritário, e a razão é simples, quando um servidor adoece, não é apenas ele quem sofre, toda a população sente.

Se um professor adoece, a sala perde qualidade, se um enfermeiro adoece, o atendimento desacelera, se um servidor administrativo adoece, o serviço trava. Se quem está na ponta para a cidade inteira sente os reflexos.

Por isso, o cuidado com o servidor precisa deixar de ser tratado como gasto e passar a ser entendido como investimento estratégico.Em Cuiabá, por exemplo, já existem estruturas específicas de acolhimento ao servidor.

Na educação, há atendimento ágil para que o profissional seja avaliado rapidamente e possa receber o encaminhamento adequado, seja para retorno ao trabalho ou afastamento responsável.

Na rede particular, operadoras de saúde já estruturam alas específicas para saúde mental, porque compreenderam uma verdade simples:prevenir custa menos do que remediar, é mais inteligente cuidar no início do sofrimento do que esperar o colapso físico e emocional.

Pontes e Lacerda precisa discutir isso com seriedade, é possível criar atendimento prioritário ao servidor, é possível implantar núcleos preventivos de acolhimento, é possível organizar consultas rápidas e estratégicas, é possível desenvolver ações permanentes de prevenção física e mental tais como:

  • Orientações ergonômicas;
  • Pausas programadas;
  • Alongamentos funcionais;
  • Acompanhamento psicológico preventivo;
  • Atenção à saúde da mulher e do homem servidor;
  • Acompanhamento ortopédico e ocupacional.

Tudo isso custa menos do que afastamentos prolongados, licenças sucessivas e colapso funcional.

O sindicato vem cobrando isso há meses. Na1ª Conferência Municipal de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, organizada pelo Conselho Municipal de Saúde de Pontes e Lacerda no ano passado,o presidente Marcos Rogério destacou a necessidade de priorizar o atendimento aos servidores, especialmente aqueles que lidam diretamente com vidas. E nos debates regionais, encontros técnicos e espaços institucionais, tem alertado que a prevenção é o melhor caminho.Mas até aqui, infelizmente, temos visto mais discursos do que efetividade.

É hora de transformar conversa em ação concreta.Também é urgente a realização de concurso público, sem recomposição do quadro efetivo, qualquer política de prevenção se torna limitada.

Hoje, o município opera abaixo da necessidade real, a evasão também preocupa. Muitos aprovados assumem e pouco tempo depois deixam o cargo, porque o alto custo de vida local, somado à defasagem de algumas carreiras, torna a permanência inviável. Isso enfraquece o serviço público, pressiona a previdência municipal e compromete o futuro funcional da cidade.

Será necessário coragem administrativa para enfrentar essa realidade: rever carreiras; valorizar permanência; planejar recomposição; fortalecer a previdência; criar política séria de saúde ocupacional. O servidor não pode continuar pagando essa conta com a própria saúde.

Cuidar do servidor não é favor, é dever institucional. Valorizar quem sustenta o serviço público não é discurso político, é compromisso com o futuro da cidade.

Porque quando o servidor adoece, toda Pontes e Lacerda sente.

E juntos conquistaremos mais direitos, mais respeito.

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